Iêda Lima, escritora de Campina Grande, Estado da Paraíba, Brasil, nos revela parte da sua história pessoal, no contexto das ditaduras dos anos sessenta do século passado, na América Latina. Seu livro “Um olhar no Retrovisor e outro na Estrada” nos leva a fazer uma viagem pela história do continente, onde ela mesma foi diretamente afetada, pelo governo de exceção que se instalou em seu país, que a obrigou a exilar-se no Chile. No exílio, ela foi testemunha e vítima do regime de Augusto Pinochet, depois do golpe militar que derrubou o governo democrático de Salvador Allende, em setembro de 1973.

Iêda foi obrigada a fazer um périplo por vários países, para preservar sua própria vida, até chegar à República Democrática Alemã, onde recebeu acolhida, e pode ter um emprego e uma escola para sua fiha (Luisa). Por quase uma década, Iêda se refugiou na arte e na cultura como um alento para diluir as dores do afastamento forçado e o exílio, até voltar a sua terra natal Brasil, onde se dedicou à gestão pública e à vida social e em família.

A boa literatura possui a fascinação de que o ser humano pode encontrar-se consigo mesmo e com a história; isto é precisamente o que Iêda Lima conseguiu durante a viagem de 160 páginas de seu livro “Um olhar no retrovisor e outro na estrada”.

É um olhar que foca nas misérias e barbaridades do nosso continente, de um povo que ainda não se libertou de suas correntes, como diz a música de Nino Bravo, mas que também é uma visão de esperança e reconciliação, tão necessária nestes momentos para Colômbia, que apesar de tantos sofrimentos, começa a abraçar a ilusão de uma paz estável e duradoura.

*Wilson Flórez Valencia
Presidente da Rede de Bibliotecas das Caixas de Compensação Familiar da Colômbia