Tragédia em Brumadinho

Hoje no começo da tarde, quando ainda curtia os 465 anos de São Paulo com minha filha e genro, fomos golpeados com a notícia do desastre ambiental de Brumadinho, em Minas Gerais.

Fui tomada por uma mescla de revolta e vergonha, por estar vendo a repetição do mesmo tipo de ocorrência, que vitimou a população de Mariana, em novembro 2015, com a mesma empresa, e com os mesmos efeitos desastrosos para toda forma de vida da região e além dela.

A empresa continuou fazendo de conta que administra projeto de redução do impacto ambiental da sua produção mineral e o setor público faz de conta que fiscaliza.

Mas isto não tem a menor importância, não é mesmo?

Mortos? Desaparecidos? Desabrigados? Fauna e Flora destruída? Apenas uma questão de tempo e todos esqueceremos!

Sampa, minha linda!

No meu imaginário de nordestina, você era a “terra das oportunidades”; em troca, oferecia aos que você acolhia apenas muito concreto, poluição sonora e do ar e solidão.

A vida me pregou uma peça e me “empurrou” ao seu encontro.

Já se vão 10 anos! Você tratou de me mostrar que as crenças e os prejulgamentos podem ser revistos.

Você me ensinou que é feita de gente, diversa, tolerante, trabalhadora, culta, aberta para o novo e alegre.

Você contribuiu para que eu pusesse a minha crença de ponta cabeça e abriu a minha mente para observar e curtir o seu lado A.

Ainda tem muito chão, haja vista os efeitos da tempestade de ontem (24/01/19) e da interdição da ponte que dá acesso à Via Dutra.

Mas, este não é um defeito seu; é apenas resultado da maneira como cada um de nós se relaciona com você e do quanto estamos capacitados para gerir a expansão urbana e os projetos que priorizam os veículos e ignoram o efeito estufa, em detrimento das pessoas.

Parabéns, Sampa, pelos seus 465 anos! Parabéns, paulistanos! Muito obrigada por tudo que vocês me ofereceram nesses anos!

Iêda Lima 25/01/2019

A polêmica da posse de armas no Brasil


Mãe expõe seus medos sobre os efeitos da liberalização da posse de armas no Brasil. Ah! Sobre a exigência de ter um cofre em casa, é só declarar! Que Deus nos proteja!

Leia este artigo da jornalista e escritora Rita Lisauskas:

Você deixaria seu filho brincar na casa do vizinho sabendo que o pai dele tem uma arma?

A primeira lembrança que me veio à mente ao saber sobre o decreto flexibilizando a posse de armas foi a do meu filho, sempre tão bonzinho e obediente, com o vidrinho de remédio na mão, vazio. Ele tinha escalado o guarda-roupa, alcançado a última prateleira, aberto a caixa de remédios que estava ‘escondida’ no fundo da prateleira (mas sem cadeado porque ‘meu filho não é de aprontar’, eu sempre dizia) e tomado todo o vidro de Berotec, medicamento usado para o tratamento da bronquite. Tivemos de correr com ele para o hospital que, felizmente, ficava a poucos quilômetros de casa. Chegou lá com os batimentos cardíacos altíssimos e foi direto para a emergência, onde passou 12 horas sendo desintoxicado.

Quem é mãe ou pai sabe: uma criança é capaz de tudo – porque é curiosa, porque não tem noção do perigo, porque vive em um delicioso mundo da fantasia. E é por isso que nós, os adultos, seus cuidadores, tomamos algumas precauções quando elas chegam em nossas vidas: colocamos redes nas janelas, instalamos protetores de tomada, compramos fogão com trava antivazamento de gás, trancamos os armários com os produtos de limpeza. Mesmo com tantas mudanças e os olhos atentos dos pais e dos cuidadores, elas sempre “aprontam”. Pulam do sofá e quebram algum osso, engolem o brinquedinho que o amigo levou para o parquinho e por aí vai. Cada pai e mãe tem sua história de perrengue gravada na memória e sabe de quantas formas já foi surpreendido pela sagacidade do próprio filho.

Mas agora alguns de nós, os adultos tão espertos, decidimos que pode ser uma ótima ideia ter uma arma em casa, ‘os bandidos têm armas, por que a gente não pode se defender?’. Uma arma não. Até quatro, segundo o decreto assinado pelo presidente. E olhamos para a nossa própria régua para concluir que tudo bem, “não tem perigo”, porque para ter a posse da arma “tem que ter um cofre em casa”. Claro que lá pelas tantas alguns podem achar que nem precisa de tanto cuidado, porque o filho já está grande e “tem noção do perigo”. Também porque se a casa for invadida, é preciso agir rápido, melhor deixar a arma na primeira gaveta do criado-mudo durante à noite, de manhãzinha ela volta para o cofre. Um belo dia você acorda atrasado e esquece de trancar o revólver. Para a tragédia acontecer bastam apenas alguns segundos, a gente sabe bem disso, não sabe?

Mas vamos supor que a gente tenha arma em casa e não abra exceções. Sempre trancada. Mas e o nosso vizinho? Será que terá o mesmo cuidado? Ontem li algumas mães discutindo o assunto no Facebook e a questão era essa: vamos ter de perguntar aos pais daquele amiguinho tão legal se eles têm armas em casa? Se as mantêm sempre no cofre? Você teria coragem de deixar seu filho frequentar a casa de uma família que tem um revólver em casa? Eu não teria, mas talvez eles não contassem a novidade a ninguém, “para não assustar”.

Mesmo com todos esses cuidados, não estaríamos seguros. A arma não trancada do pai do coleguinha cuja casa seu filho não frequenta poderia ser levada à escola escondida dentro da mochila. Esse filme americano começou a ser passado no Brasil recentemente, você com certeza tem acompanhado o noticiário. Ano passado um garoto de 15 anos, na cidade de Medianeira, no Paraná, levou a arma do pai e feriu dois alunos da escola onde estudava. Em Goiânia, também ano passado, um adolescente de 14 anos matou a tiros dois colegas e feriu outros quatro. Filho de policiais militares, ele usou a arma da mãe, que havia levado à escola escondida na mochila. O motivo? Bullying, algo comum em 9 em cada 10 escolas de todo o mundo, um comportamento com efeito destruidor sobre as vítimas, mas encarado como “mimimi” pela galera do “sempre fui zoado na escola e nunca matei ninguém”. Talvez porque seu pai não tivesse um revólver em casa. Talvez porque você seja mais forte psicologicamente. Talvez porque o governo restringisse a posse de armas.

RITA LISAUSKAS é jornalista e escritora. Autora do livro “Mãe Sem Manual”, Editora Belas Letras, é também colunista da Rádio Eldorado. É mãe do Samuel e madrasta do Raphael e do Lucca.

Twitter e Instagram: @ritalisauskas. Facebook:

http://www.facebook.com/ritalisauskas1

O que foi 2018 e o que espero do ano que está pra chegar

Este ano de 2018:

Comemorei meus 70 anos, cercada da família e de amigos queridos.

Recebi de presente de 70 anos a notícia de que iria ganhar mais uma netinha.

Realizei o sonho de visitar a terra de Cora Coralina (Goiás), na companhia de minha filha mais velha e meu genro.

Tive a alegria de poder juntar-me a amigos de longa data, nos passeios e jantares organizados pela amiga italiana Lívia Mihaly.

Visitei Medellín, Bogotá e Pereira, a capital da região cafeeira da Colômbia, com um grupo de amigos comuns à amiga colombiana Lucila Martinez, que nos conduziu para conhecer projetos de bibliotecas públicas e seu importante papel na promoção da leitura, da oralidade, da apropriação da consciência e responsabilidade familiar, social e ambiental e cidadã.

Fui surpreendida com a mudança para São Paulo, da minha filha mais nova, meu genro e minha netinha que está quase por chegar, quando eu estava em movimento de volta para Brasília. Dei marcha à ré e decidi ficar por Sampa, quanto tempo o destino quiser (rsrsrs).

Tive a graça de ter em meus braços e abraços os meus netos, uns mais outros menos, pela distância ou motivos fora do meu controle.

Pude abraçar e beijar minha mãe, que em poucos dias completa 89 anos, e participar ativamente da construção da rede de apoio a ela, que assegura seu bem-estar e segurança nessa etapa da vida.

Tive a graça de confraternizar com meus irmãos, cunhados, sobrinhos e sobrinhos-netos.

Consegui terminar o meu terceiro livro, mas “engasguei” na revisão, devido à elevada carga emocional que implicava retomar cada capítulo.

Participei da campanha Presidencial 2018, tendo sido derrotada já no primeiro turno, o que me obrigou a fazer escolha que não era a minha, mas que eu tinha que decidir, pois me recuso a jogar o meu voto na vala do voto “em branco” ou “nulo”.

Sofri fisicamente por queda da imunidade, decorrente de stress provocado pela pesada energia que circulou nas redes sociais, entre os núcleos familiares e grupos de amigos, por conta da eleição mais acirrada da história da Nova República.

Participei de oficinas sobre Comunicação Não Violenta (organizada pelo CNVb) e de Reciclagem de Avós (organizada pela Casa Moara), que mexeram lá no fundo da minha alma, me fizeram chorar e sentir o quanto é bom estar aberto para o novo e admitir que podemos, sempre, aprender algo a mais e crescer.

Enfim, 2018 foi maravilhoso!

Estou confiante em 2019!

Ele me trará mais uma neta.

Minha mãe será comemorada nos seus 90 anos.

Dedei (uma tia criada pela minha avó e que se tornou um dos membros mais queridos da família) completará 100 anos.

Comemorarei 10 anos de residência em São Paulo.

Lançarei meu terceiro livro.

Viajarei por aí afora.

Curtirei bons momentos com amigos que apreciam uma boa comida e um bom vinho.

Estarei aberta para novos conceitos e aprendizados, como mãe, avó, filha, amiga e cidadã.

Farei com que os revezes sejam lidos como momentos de aprendizagem e superação.

Que este Natal venha renovar nossas energias, para que possamos receber o ano de 2019 com esperança e vontade de fazer dar certo nosso projeto de vida! Saúde!!!

Não adianta culpar o Papa

A tragédia do Museu Nacional do Rio é o resultado do descaso, da negligência, da ignorância e da falta de prioridade à educação e cultura.

Mas também da incompetência gerencial, das diversas gerações de diretoria do Museu! Não dá para entender como um Museu dessa importância e magnitude não contava com um esquema de avaliação e combate a incêndios e outros desastres, nesses 200 anos de administração!!! Não adianta culpar o Papa!

Iêda Lima 02/09/2018

Neste dia Nacional do Escritor, homenagem às escritoras


Neste dia 25 de julho, Dia Nacional do Escritor, presto uma homenagem a mulheres escritoras, desde os idos da revolução francesa, com a primeira grande defensora dos direitos das mulheres, até 2017, ano que entrei para esse mundo mágico. Parabéns a todos os escritores brasileiros, em especial Claire Feliz Regina, Luciane Schutte, Ivan Carlos Regina, Josemir Camilo Melo, Bruno Gaudêncio e Ricardo Corrêa (Adriana Contin), meus amigos.

Hoje estou saindo por aí, “esquecendo” meu livro São Paulo afora…

1. Marie Gouze – França (1748-1793)

“Mulher, acorda; o rebate da razão se faz ouvir em todo o universo, toma conhecimento de teus direitos.”

2. Jane Austen – Inglaterra (1775-1817)

“Só ficarei livre desse segredo, quando ele tiver perdido todo o valor.”

3. Virginia Woolf – Inglaterra (1882-1941)

“Uma mulher deve ter dinheiro e um teto todo seu, se ela quiser escrever ficção.”

4. Cora Coralina – Brasil (1889 – 1985)

“Poetas e pintores/românticos, surrealistas, concretistas, cubistas/eu vos conclamo./Vinde todos cantar, rimar em versos,/bizarros, coloridos,/os becos da minha terra.”

5. Agatha Christie – Inglaterra (1890-1976)

“O impossível não pode ter acontecido. Consequentemente, o impossível é possível, a despeito das aparências.”

6. Cecília Meireles – Brasil (1901-1964)

“Liberdade, essa palavra /que o sonho humano alimenta/que não há ninguém que explique/e ninguém que não entenda.”

7. Rachel de Queiroz – Brasil (1910-2003)

“Na verdade, eu tinha medo da prudência dele João. Tem coisas que só gente meio maluca pode levar a cabo.”

8. Clarice Lispector – Brasil (1920-1977)

“Sentiu-se depois como se tivesse voltado às suas verdadeiras proporções, miúda, murcha, humilde. Serenamente vazia. Estava pronta.”

9. Claire Feliz Regina – Brasil (1928-…)

“Fiz uma poesia brincando/leram e gostaram/Fiz outras, disseram/que era lindo tudo o que eu escrevia/e eu acreditei.”

10. J. K. Rowling – Inglaterra (1965-…)

“Se você quer saber como uma pessoa é de verdade, preste atenção em como ela trata seus inferiores, e não seus iguais.”

11. Svetlana Aleksiévitch – Ucrânia (1948-…)

“Ensino que não se pode arrancar uma flor, sem motivo. Dá pena de esmagar uma joaninha, de arrancar a asinha de uma libélula. Como explicar a guerra a uma criança?”

12. Iêda Lima – Brasil (1948-…)

“…Nem agora, nem em 1968, nem em momento algum, se pode negar ao jovem o direito de sonhar, pois juventude e sonho são inseparáveis, e precisa ser assim, para continue havendo esperança em um mundo melhor…”

13. Maria de Fátima Siqueira – Brasil (1953 – …)

“Que fiquemos então protegidos da loucura completa por nossas palavras e que possamos ser apenas meio loucos para podermos fazer a diferença nesse mundo cheio de “normalidades” que nos assustam.”

Viva a literatura e a indignação!”

14. Luciane Shütte – Brasil (1962-…)

“Apenas sobreviventes entendem o valor da vida e das pequenas grandes coisas.”

Não tenham vergonha de chorar

A operação internacional de resgate de adolescentes presos em uma caverna, na Tailândia, é um exemplo da essência do ser humano: o amor.

O conselho do mineiro chileno Osmar Reygadas, que foi resgatado junto com mais 32 colegas de uma mina no deserto de Atacama, no Chile, em 2010, após 69 dias preso a 700 metros de profundidade, mostra a capacidade do resiliência do ser humano: “Não tenham vergonha de chorar. Fiquem firmes; mentalizem seu resgate”.

Por tudo isso, eu tenho fé na humanidade!

Já vi esse filme, aqui e em outros países

Paus, pedras, ovos e tiros, de um lado, e ameaça contra a vida de um Ministro do STF, de outro, demonstra que o radicalismo (de esquerda e de direita) se alimenta da ausência de autoridade e credibilidade das instituições democráticas no Brasil.
As causas dessa crise são muitas; mas, algumas delas podem ser encontradas nas seguintes perguntas:
Quem se encarregou de pregar o ódio e dividir o país? Quem criminalizou a política? Quem desmoralizou a autoridade governamental apropriando-se da máquina estatal para comprar poder? Quem passou por cima da Constituição Federal e adotou dois pesos e duas medidas em sentenças judiciais? Quem está interessado no Caos? Quem está com medo de perder o controle da Polícia e das Associações de Bairros?
Sinto admitir que a Democracia brasileira está em risco!
Mas, mantenho-me esperançosa que os brasileiros – em especial os mais jovens – despertem a tempo de impedir a manipulação da sociedade por grupos políticos radicais e que os setores do Estado que ainda preservam alguma autoridade, tomem providências para parar com essa escalda de selvageria.
Já vi esse filme, aqui e em outros países!

Um papo com as gerações “Guerra nas Estrelas”


Curiosa para entender a paixão dos meus filhos e netos pela série de filmes “Guerra nas Estrelas” (Star Wars) decidi assistir a todos os episódios com olhar crítico sobre os seus recados subliminares e os principais motivos de atração como efeitos visuais, música, figurino e sonorização e personagens cativantes.

Conversando com eles, descobri que essa obra do George Lucas – campeã de bilheteria – tem três camadas de alcance do público:

A mais superficial, a que vende, quando carrega nas batalhas e corridas “malucas” com máquinas que superam a velocidade da luz, no espaço galáctico, e na verosimilhança e interação entre homens e máquinas (os droides astromecânicos como o R2D2, o C3PO e BB8).

A segunda camada fica por conta daqueles que percebem na série a evolução tecnológica do cinema: 2D para 3D e até o quanto o 3D melhorou; a computação gráfica e seus efeitos visuais nas batalhas e desenhos das máquinas; a gradual sofisticação acústica; a belíssima trilha sonora de John Williams; o uso do jogo de luzes para representar o equilíbrio dos lados claros e sombrios da força no Universo.

Por fim, a camada mais profunda de percepção, que é a filosofia expressa pelos Jedi, que tem como líder carismático o “Mestre Yoda”; e a projeção galáctica da “fotografia” da sociedade no nosso planeta Terra.

Sobre o recado filosófico, que certamente fez a cabeça de muita gente das gerações de 1977 para cá, George Lucas usou o Mestre Yoda e outros personagens Jedi, de um lado, e dos Sith (lado sombrio da força), de outro lado.

A força das frases do Mestre Yoda, o líder dos rebeldes e defensores da liberdade traspassaram gerações:

O medo é o caminho para o lado sombrio.

Faça ou não faça; alternativa não existe.

Treine a si mesmo e deixe partir tudo que tem medo de perder.

Grande guerreiro? A guerra não faz grande ninguém…

E assim vai… Anotei estas frases; mas deixo pra vocês pesquisarem e perceberem vocês mesmos os recados do Georg Lucas via Mestre Yoda, e que encantou a tantos.

De outro, o lado sombrio de mãos dadas com corruptos, contrabandistas, indústria armamentista e marginais da sociedade se infiltram nas estruturas políticas dos planetas, enfraquecem a República e os reduz a uma meia dúzia de guerreiros (episódio VIII) que mantém acesa a centelha da liberdade, do amor e da paz.

Agora, a pergunta que não quer calar: Qual o efeito dessa saga no comportamento das duas últimas gerações? Eu respondo sem medo de errar que o George Lucas, ao mesmo tempo em que ele estimulou a opção pelo crescimento como indivíduo, na linha filosófica “Yodiana”, ele também contribuiu para o surgimento dos blockbusters (mascarados violentos) e uma maior tolerância com o lado sombrio da sociedade, na linha do “equilíbrio de forças” na galáxia.

Longe de querer imputar a Georg Lucas a responsabilidade pela crise das democracias no mundo, estou certa que ele formou escola entre os jovens procuradores e juízes e entre os que hoje compõem o lado sombrio nas redes sociais e na violência de final de manifestações que tinham tudo para ser pacíficas.

Coincidência ou não, estamos diante de uma nova realidade sociológica e aqueles jovens que ainda preservam independência e visão crítica devem ficar atentos, para o surgimento de novas ou falsas novas lideranças, que certamente irão querer explorar essa dualidade e poderão alimentar um pesadelo, ao invés de um sonho, como é da essência da juventude.

O que levar de 2017 para 2018?

Viajando no tempo, vejo a curva da virada do ano e resolvo dar uma olhadinha no retrovisor.

De um lado da estrada vejo um 2017 turbulento e uma mistura de imagens. Vejo prisões de políticos, empresários e magnatas do futebol, por corrupção e desvios de recursos públicos; o incêndio criminoso da Chapada dos Veadeiros e golpistas se aproveitando da situação; vejo também guerras de facções criminosas transformando o cidadão carioca em prisioneiro na sua própria casa; crianças apedrejando um Papai Noel, porque os doces que ele tinha levado haviam acabado; jovens e adultos cansados de procurar emprego e fomentando o ódio nas redes sociais; torcedores do Flamengo (meu time do coração) se comportando como selvagens em praça pública; vejo, por fim, o país desligado de si mesmo.

Mas, quando olho pro outro lado da estrada, eu vejo o meu neto Victor nascendo e com ele a renovação da esperança em uma país melhor; meu neto mais velho, Igor, encontrando o seu caminho no mundo da música e conquistando trabalho com seu próprio esforço; meu neto Ian se formando em Biotecnologia e na luta para seguir sua carreira de pesquisador; minha netinha, Helena, dando seus primeiros passos; e meu neto Davi acolhendo seus irmãos, por parte de pai; vejo também um exército de voluntários ajudando a reduzir os estragos do incêndio da Chapada dos Veadeiros e salvando os animais atingidos; vejo jovens lutando bravamente para fazer o contraponto e lotando auditório, por seguidas vezes, com interessados em melhorar como pessoa e semear a ideia da comunicação não violenta; vejo professoras heroínas salvando seus alunos de um incêndio criminoso em uma creche; vejo uma estudante de Campina Grande/PB, minha terra natal, vencendo o Concurso Internacional de Redação de Cartas, que teve como tema “Imagine que você é um(a) assessor(a) do novo Secretário Geral da ONU – Qual é o problema mundial que você o ajudaria a resolver em primeiro lugar e de que forma você o aconselharia para isso?”. Vejo brasileiros conscientes da importância do verde para a nossa saúde, transformando um terreno público em um lindo oásis, botando mão e alma na terra. Vejo amigos de sempre, alimentando uma relação de respeito, mesmo com distintas visões de mundo, travando embates produtivos e brincando como se fossem crianças.

Vejo também lideranças promovendo debates e buscando saídas para a desagregação e o desencanto da nossa sociedade, sem autoritarismo e com foco na educação.

Por fim, me vejo lançando o meu livro “Um olhar no retrovisor e outro na estrada”, pelo Brasil afora, transmitindo uma mensagem de confiança no futuro e mostrando que podemos aproveitar as crises para crescer como pessoa e sociedade.

Ao olhar para a curva, vejo que 2018 poderá ser melhor, desde que nos desarmemos do ódio e da ira que contamina as redes sociais e cuidemos com carinho das nossas relações pessoais na família e na sociedade, buscando sempre o nosso crescimento como ser humano.


Feliz Natal! Que venha 2018! Saúde!

Iêda Lima