Um papo com as gerações “Guerra nas Estrelas”


Curiosa para entender a paixão dos meus filhos e netos pela série de filmes “Guerra nas Estrelas” (Star Wars) decidi assistir a todos os episódios com olhar crítico sobre os seus recados subliminares e os principais motivos de atração como efeitos visuais, música, figurino e sonorização e personagens cativantes.

Conversando com eles, descobri que essa obra do George Lucas – campeã de bilheteria – tem três camadas de alcance do público:

A mais superficial, a que vende, quando carrega nas batalhas e corridas “malucas” com máquinas que superam a velocidade da luz, no espaço galáctico, e na verosimilhança e interação entre homens e máquinas (os droides astromecânicos como o R2D2, o C3PO e BB8).

A segunda camada fica por conta daqueles que percebem na série a evolução tecnológica do cinema: 2D para 3D e até o quanto o 3D melhorou; a computação gráfica e seus efeitos visuais nas batalhas e desenhos das máquinas; a gradual sofisticação acústica; a belíssima trilha sonora de John Williams; o uso do jogo de luzes para representar o equilíbrio dos lados claros e sombrios da força no Universo.

Por fim, a camada mais profunda de percepção, que é a filosofia expressa pelos Jedi, que tem como líder carismático o “Mestre Yoda”; e a projeção galáctica da “fotografia” da sociedade no nosso planeta Terra.

Sobre o recado filosófico, que certamente fez a cabeça de muita gente das gerações de 1977 para cá, George Lucas usou o Mestre Yoda e outros personagens Jedi, de um lado, e dos Sith (lado sombrio da força), de outro lado.

A força das frases do Mestre Yoda, o líder dos rebeldes e defensores da liberdade traspassaram gerações:

O medo é o caminho para o lado sombrio.

Faça ou não faça; alternativa não existe.

Treine a si mesmo e deixe partir tudo que tem medo de perder.

Grande guerreiro? A guerra não faz grande ninguém…

E assim vai… Anotei estas frases; mas deixo pra vocês pesquisarem e perceberem vocês mesmos os recados do Georg Lucas via Mestre Yoda, e que encantou a tantos.

De outro, o lado sombrio de mãos dadas com corruptos, contrabandistas, indústria armamentista e marginais da sociedade se infiltram nas estruturas políticas dos planetas, enfraquecem a República e os reduz a uma meia dúzia de guerreiros (episódio VIII) que mantém acesa a centelha da liberdade, do amor e da paz.

Agora, a pergunta que não quer calar: Qual o efeito dessa saga no comportamento das duas últimas gerações? Eu respondo sem medo de errar que o George Lucas, ao mesmo tempo em que ele estimulou a opção pelo crescimento como indivíduo, na linha filosófica “Yodiana”, ele também contribuiu para o surgimento dos blockbusters (mascarados violentos) e uma maior tolerância com o lado sombrio da sociedade, na linha do “equilíbrio de forças” na galáxia.

Longe de querer imputar a Georg Lucas a responsabilidade pela crise das democracias no mundo, estou certa que ele formou escola entre os jovens procuradores e juízes e entre os que hoje compõem o lado sombrio nas redes sociais e na violência de final de manifestações que tinham tudo para ser pacíficas.

Coincidência ou não, estamos diante de uma nova realidade sociológica e aqueles jovens que ainda preservam independência e visão crítica devem ficar atentos, para o surgimento de novas ou falsas novas lideranças, que certamente irão querer explorar essa dualidade e poderão alimentar um pesadelo, ao invés de um sonho, como é da essência da juventude.

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